terça-feira, 3 de maio de 2011

VELHA BAHIA

Velha Bahia de mestre Bimba que tem dendê
Velha Bahia de Mestre Pastinha e Aberrê
(Coro)
Tem a baiana de saia rendada e samba no pé
Tem a magia de todos os santos do candomblé
Tem samba de roda, tem jogo de angola e regional
Mercado Modelo, tem acarajá e berimbau
(Coro)
História de escravo que chorou no tronco ao apanhar
Histórias de um povo que lutou na vida pra se libertar
É manha de negro no toque de um gunga e uma viola
Pra quem é capoeira a velha Bahia é uma escola
(Coro)
No passado você já foi palco de invasões
Velha Bahia com suas ladeiras e sobradões
Cada rua e cada esquina tem uma história
Você está no meu peito e carrego sempre na memória
(Coro)



By. SERGINHO

VIOLA DE WALDEMAR


Minha viola
Eu não canso de tocar
Quando bate uma saudade
De meu Mestre Valdemar
Fui na Bahia pra tocar
Berimbau de Mestre Valdemar
(Coro)

Hoje eu digo a vocês
E recordo a todos nós
Quem ganhou um berimbau
De Valdemar, foi Boa Voz
Fui na Bahia pra tocar
(Coro)
Cada toque um lamento
Parecia solidão
Valdemar ganhava
A vida, como um simples artesão
Fui na Bahia pra tocar
(Coro)
Só me restaram as histórias
Tempo que não volta mais
Cantando na liberdade
E também no Pero Vaz
Fui na Bahia pra tocar
(Coro)

By. SERGINHO

NAVIO NEGREIRO

O navio ancorou no caisTrazendo tanto sofrimento
Negros de Angola, negros de Guiné
Ai meu Deus quanto lamento
(Coro)

Foi arrancado de sua família, sem saber nem o porquê
O negro se perguntava o que eu fiz pra merecer
Tanta dor, tanta maldade, não me deram chance de escolher
Arrancaram minha liberdade, pai Oxalá onde anda você?
(Coro)
Acordava antes do sol, ia direto pra lida
Sem água, sem pão, sem dó, aquilo não era vida
A tardinha voltava do canavial, só trazia ódio e dor
Ainda ia pro tronco sentir o chicote do feitor
(Coro)
Negro sentia saudade da África tão amada
Onde ele era rei, tinha vida respeitada
Caçava, corria as matas, tomava banho de rio
Cultuava os orixás, não sentia fome nem frio
(Coro)
Um dia negro cansou de tamanha humilhação
Fugiu correndo pro mato, sem rumo sem direção
Assim nasceu o quilombo, o começo da vitória
Construída com suor, sangue, magia e glória.

By. SERGINHO

CAPOEIRA & ECOLOGIA

A CAPOEIRA EM HARMONIA
COM A NATUREZA E A ECOLOGIA

EU PRECISO DE MADEIRA
PRA FAZER MEU BERIMBAU
NÃO DESMATE A MATA ATLÂNTICA
A AMAZÔNIA E O PANTANAL
REFRÃO
EU PRECISO DE AR PURO
PARA PODER RESPIRAR
NÃO DESTRUA A FAUNA, A FLORA
NEM POLUA O NOSSO MAR
REFRÃO
PARE PRA PENSAR
O QUE PODE ACONTECER
SE DAQUI A ALGUM TEMPO
FALTAR ÁGUA PRA BEBER
REFRÃO
SE VOCÊ É CAPOEIRA
TEM MALÍCIA E MALANDRAGEM
SELECIONE O SEU LIXO
PRA FAZER A RECICLAGEM
REFRÃO
E GINGANDO PELO MUNDO
MEU CANTO VAI ECOAR
PRA SALVAR NOSSO PLANETA
FAÇA COMO A ABADÁ
REFRÃO


By. SERGINHO

O CAMPO ENERGÉTICO DA ORQUESTRA, CANTO, PALMAS E JOGO

O capoeirista, como todos os demais participantes duma roda de capoeira, está encerrado num campo energético, com o qual interage e portanto sujeito a todos os seus fatores em atividade Reflete, portanto, não só seu estado pessoal, porém aquele do complexo energético da roda, sofrendo a influência de todo o conjunto. Toda a excitação ambiental envolve os jogadores e transtorna a condução do espetáculo, o qual
poderá evoluir para um circo romano em toda sua barbárie. Razão pela qual, a assistência do jogo da capoeira, antigamente, nas festas de largo, assistia silenciosa e respeitadora, como numa cerimonia religiosa, o desenrolar do jogo de capoeira, procurando guardar os detalhes de cada um dos lances à procura da descoberta do mais habilidoso, elegante, malicioso, inteligente, destro dentre os participantes. O silêncio e a paz ambiental propiciam a melhor percepção da mensagem orfeônica, o desenvolvimento do transe capoeirano e portanto, o desenrolar do jogo. As palmas, introduzidas pelo Mestre Bimba para enfatizar a participação da assistência e esquentar o ritmo, alcançam atualmente intensidade tal, que não mais permitem ouvir o toque do berimbau e muitas vezes, sequer os cânticos, desnaturando a capoeira no seu ponto mais nobre, a musicalidade, fonte do transe, ponto capital do jogo. O atabaque, formalmente condenado pelo Mestre Bimba, durante todo o tempo em que acompanhei a sua rota, foi introduzido pelo Mestre Pastinha e ulteriormente usado pelos grupos folclóricos, a partir de Camisa Roxa, Acordeom, Itapoan, etc. para enfatizar a "africanidade" original. Tocado por quem de direito, suave e discretamente, como pelas orquestras de Mestre Pastinha e seus descendentes; conhecedores dos arcanos, fundamentos, segredos musicais africanos, marca o andamento e acompanha o toque do berimbau, instrumento-rei da capoeira, ao qual deve acompanhar e jamais suplantar, obscurecer. Em mão desabilitadas, como ocorre na rodas da chamada regional atual, torna-se arauto de ritmo guerreiro e acarretam um transe violento, que vem matando, ferindo, lesando impiedosamente os seus praticantes, desde que provoca um transe agressivo, belicosos, guerreiro, desenfreado e deve portanto ser proscrito em nome da legitimidade da capoeira e da segurança dos seus praticantes. O agogô e o gã, são excelentes marcadores de compasso, indispensáveis nas orquestras de candomblé, embora não aceitos pelo Bimba, talvez por terem sido introduzidos por Pastinha, enriquecem as charangas dos seguidores do estilo de Mestre Pastinha e ajudam (e muito!) a manter a constância do andamento do toque. O reco-reco, também introduzido pelo Mestre Pastinha, nos parece inócuo, sem maior expressão musical, dispensável, salvo para manter a tradição do estilo. Aviola, hoje em desuso, de ausência lamentada pelo Mestre Pastinha em seus manuscritos, também encontrada no samba de roda, nos indica a origem comum da capoeira e do samba, como indicamos em nossos escritos sobre a família musical áfrico-brasileira. Opandeiro, com redução dos guizos com recomendado pelo Mestre Bimba, marca o compasso e mantém a constância do andamento quando em mãos habilitadas. É comum no entanto que os mais afoitos (ou despreparados?) acelerem o ritmo ou se afastem do toque do berimbau, desde que não havendo treinamento adequado (ensaio) como fazem os descendentes de Mestre Pastinha ou responsável pela direção da orquestra ou charanga (fiscal no dizer de Mestre Pastinha) é comum alguém se apropriar indevidamente do manuseio deste instrumento. Mestre Bimba dizia que "O pandeiro é o atabaque do capoeirista". Oberimbau é o instrumento-rei da capoeira, vez que somente o seu aparecimento na rodas de capoeira (antigamente citadas apenas como " capoeira" pelo próprio Mestre Pastinha, algumas vezes referidas como "capoeira de Fulano de Tal") é que marca o surgimento da capoeira como a reconhecemos atualmente, a capoeira da Bahia, seja o estilo "angola" seja o "regional". Torna-se portanto, indispensável ao bom desenvolvimento do jogo que seu toque predomine no ambiente, mantendo a uniformidade do ritmo e o entrosamento entre os parceiros duma "volta" ou "jogo", sem o qual fatalmente existirão os desencontros e a violência.

By. SERGINHO

TOQUES PACÍFICOS E TOQUES DE GUERRA

Os vários toques, ritmos, andamentos e cânticos de candomblé associam-se a modificações de estados de consciência (transe de orixás) específicos de cada arquétipo. Sendo o estado de transe provocado pela adequação, sinergia, sintonia, harmonia, da música com o arquétipo (sensibilidade do ente sob seu campo energético ou vibratório). Assim é que uma pessoa, sujeita aos diversos tipos de vibrações orfeônicas em campo sonoro desta natureza, poderá permanecer indiferente a vários padrões orfeônicos ou exteriorizar sua sensibilidade por manifestações motoras ou psicológicas em algum momento ou padrão, com o qual seu arquétipo se harmonize. Consoante o tipo sonoro, pacífico, belicoso, calmo, agitado, lento, vivo, moderado, rápido, a entidade em sinergia manifestará sua sintonia por movimentos calmos, majestosos, vivos, violentos, guerreiros, etc. Dentre os toques calmos destaca-se o ijexá, pela paz, alegria, felicidade e requebro a que se associa, razão pela qual permite os movimentos do samba de roda, do afoxé, batuque e capoeira. A importância atribuída pelo nosso Mestre ao toque era tal que o compelia a usar apenas a musica do berimbau (tocado pelo próprio), sem pandeiro, para que os aprendizes fixassem o ritmo-melodia em toda sua plenitude. A exclusão de todo e qualquer outro instrumento que não berimbau e pandeiro da orquestra também decorria desta premissa. Freqüentemente, quando os alunos jogavam com muito açodamento e velocidade durante um toque de "banguela" o Mestre resmungava:
"Tô disperdiçandu minha banguela! "Só merecem mesmu a cavalaria!" E... "virava" para o toque mais duro e bruto da "regional"... impiedosamente mais adequado para os embrutecidos... insensíveis e afobados.


By. SÉRGINHO

GRADUAÇÃO

O sistema oficial de graduação, que já existe desde 1972, foi idealizado pelos grandes mestres do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. Tem sua fundamentação nas cores da Bandeira Nacional, estabelecida de forma lógica, sendo a primeira cor o verde, depois o amarelo e o azul. A cor branca só entra no nível de mestre. A relevância da importância da fundamentação desta graduação é que como a Capoeira é um esporte genuinamente nacional, nada mais justo e patriótico do que estabelecer as cores nacionais para se graduar. A idéia da regulamentação da Capoeira surgiu no II Simpósio Sobre Capoeira, realizado em 1969, em Campo dos Afonsos - RJ, com a presença de pessoas de renome e mestres de Capoeira, principalmente dos estados do Rio de Janeiro, da Bahia e de São Paulo.

A princípio, a proposta do Simpósio era definir e unificar a Capoeira sem que a mesma sofresse qualquer tipo de perda relativa às suas tradições. A partir daí, ficou decidido que a Confederação Brasileira de Pugilismo organizaria o projeto através de sugestões e trabalhos de pessoas envolvidas com a Capoeira. Finalmente, em 26 de dezembro de 1972, o Regulamento Técnico da Capoeira foi aprovado pelo Conselho Nacional de Desportos. O texto do Regulamento Técnico foi revisto e atualizado pela Assessoria de Capoeira da Confederação Brasileira de Pugilismo através de inúmeros congressos técnicos, até chegar a atual edição, que considera os seguintes itens: graduação, vestuário e característica dos cordéis de classificação.


Regulamento Técnico oficial da Capoeira elaborado em 26 de dezembro de 1972 Nível do aluno As graduações do Regulamento Técnico da Capoeira de 26 de dezembro de 1972 são as seguintes por estágios:
Nível de aluno
1º Estágio - Cordel verde
2º Estágio - Cordel verde-amarelo
3º Estágio - Cordel amarelo

Nível do instrutor
4º Estágio - Cordel amarelo-azul
5º Estágio - Cordel azul (formado)
6º Estágio - Cordel verde-amarelo-azul (Contramestre)

Nível de mestre Mestre
1º Grau - Cordel branco-verde Mestre
2º Grau - Cordel branco-amarelo Mestre
3º Grau - Cordel branco-azul Mestre
4º Grau - Cordel branco

Obs os níveis de graduação de mestre foram adotados pelo conselho nacional de desporto da confederação brasileira de pugilismo para melhor organização dos capoeiristas na época em que foi elaborado Regulamentos Técnico oficial da Capoeira, ficando livre a escolha de cada grupo referente à graduação de mestre. Nota: A liga Brasileira da capoeira cordel vermelho tem seu sistema de graduação com base nas dez bandeiras arvoradas em solo Brasileiro.

Vestuário

O vestuário do capoeirista para intervir em qualquer competição oficial, consiste em: a) calça branca, em helanca ou brim ou tecido similar, cuja bainha alcance o tornozelo, atada à cintura pelo cordel indicativo da classe a que pertence o atleta. É proibido o uso de calça de outra cor que não seja branca e bem assim o uso de cintos, bolsos, fivelas etc.; b) o capoeirista vestirá camisa branca de malha, tendo estampado no peito o escudo de sua entidade; c) nas competições individuais e por equipes, o atleta deve participar das lutas sem o cordel de classificação. Características dos cordéis de classificação O cordel de classificação é confeccionado com o fio de seda chamado rabo de rato ou similar. O seu preparo consta de um trançado de nove fios, ou seja, três grupos de três fios. Faltando 10cm. Para as extremidades do cordel, serão dadas três laçadas. Como acabamento e amarração, será dado um nó em cada fio. O cordel será colocado na calça do capoeirista, transpondo as passadeiras, de maneira que seja dado o nó no lado direito da cintura e que fiquem pendentes as duas pontas do cordel. Os cordéis nas cores verde, amarelo, azul e branco serão constituídos por nove fios da mesma cor. Os cordéis verde-amarelo, amarelo-azul, branco-verde, branco-amarelo e branco-azul serão confeccionados com seis fios da primeira cor e três da segunda. O cordel verde-amarelo-azul contará de três fios de cada cor.


By. SÉRGINHO